2 de out de 2014

Ser ou ser

Olho-me no espelho,
esquadrinho meu rosto
Às vezes não me reconheço:
- Esta ruga estava aqui ontem?
- Este olhar cansado é mesmo meu?
- Onde fui parar dentro do meu rosto?
Espinhas, imperfeições, o rímel já borrando.
Um rosto estranho na noite.
Alguém que não sou eu me fitando em um vidro.
Preciso lavar o rosto, lavar os olhos, purificar a mente
Para ver de novo o semblante sereno e sorridente
Que já conheço tão bem.
Preciso esfregar com força
Para me livrar das olheiras,
do cansaço,
do sarcasmo
da poluição que engulo e que se infiltra todos os dias.
A água corre, fico olhando-a descer no ralo,
sinto-a na minha pele, como se todos meus poros a bebessem.
Renovo o olhar.
Agora em frente ao espelho,
Sou novamente eu,
Limpa,
Sorridente,
Fazendo caretas,
Coloco uma máscara adequada
E volto ao tédio da sala
Onde reunidas estão outras pessoas, também perdendo seus rostos.


5 comentários:

  1. E quem nunca passou por uma situação semelhante a essa, Mari???
    Seria bom demais, poder se livrar das impurezas cotidianas, apenas lavando o rosto ou tomando um banho.
    Entretanto, é preciso muito mais que isso...
    Bjs.:
    Sil

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  2. Bom dia Mari, que texto reflexivo e muito bem escrito!
    Era simples assim, se tudo passasse pelo retoque da maquilhagem!
    Um beijinho.
    Ailime

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  3. Oi, Mari!
    Esse poema mexeu comigo...
    Já que não posso assinar ;-), levei pro E-Library!

    Abração
    Jan

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    Respostas
    1. Nossa, Jan, que honra!
      Abraços.

      Excluir
  4. Belíssima reflexão poética expressando tuas dúvidas e questionamentos... Gostei muito!
    Tenhas um ótimo fim de semana.

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