8 de out de 2014

Crônica pedestre

Vou a pé para casa, observo a paisagem. Todos os dias vejo esta mesma rua, mas hoje tenho tempo para contemplar com mais calma e absorver os detalhes com mais nitidez.

Sexta-feira, a rua fervilha e eu na contramão do movimento. Caminhando às vezes devagar, às vezes mais depressa, no ritmo da música nos fones de ouvido, parando às vezes quando dá vontade.

A flor branca, pequena espiando pela cerca de uma casa, o carro estacionado de forma estranha em frente a uma loja, veículos de todo tamanho passando,pessoas indo e vindo.

Está um calorzinho gostoso agora, parece que o ar, as expressões de quem passa, até os cheiros, são diferentes quando a tarde está acabando. A calçada em frente àquela loja de roupas mostra o desgaste dos anos, com a cor da faixa sumindo. Árvores que até há pouco tempo atrás renovavam suas folhas agora mostram flores coloridas.

Um conhecido cumprimenta com um aceno de mão, logo outro faz o mesmo. Crianças que já foram minhas alunas, indo para casa em suas bicicletas, de carona com seus pais, dentro de ônibus, acenam.

Uma centopeia errante foge de meus passos, fico com pena e procuro um jeito de colocá-la em alguma folha ou grama no terreno ali perto. Troco a música no celular, já que esta não combina.

Engraçado ver todo este movimento de pessoas loucas para ir para casa/campo/qualquer outro lugar e eu aqui, caminhando e cantando. E canto literalmente às vezes, se alguém ouvir e achar esquisito, dane-se!

Como é bom fazer este caminho para casa de forma diferente, às vezes! Deixar a motocicleta em casa e pedalar, ou caminhar mesmo. A perspectiva muda, o tempo altera, as sensações são maiores. A visão é bem maior também. A motocicleta exige olhar para frente, para os retrovisores e nem perceber que a fachada da loja X ou Y mudou. A bicicleta deixa ver melhor, mas exige atenção ao trânsito também.

Mas caminhar, ah, caminhar.. sentir  a brisa, andar de boa na calçada, sentir o pulsar da rua, da cidade, sentir-se mais parte do ambiente.

Tenho de fazer isso mais vezes...


2 comentários:

  1. Que lindo esse caminhar mais atentamente passando pelos mesmos lugares e apenas percebendo o que por lá existe e que em outras oportunidades, sequer tinham sido notados! bjs, chica e tudo de bom!

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  2. Olá Mari,
    Essa agitação da modernidade faz com que não observemos até as coisas que nos são mais próximas, como no caso a própria rua. Assim perdemos detalhes fantásticos do cotidiano que normalmente acabamos por não dar o devido valor! O que fez é um exercício mental-espiritual muito bom, pois passamos a valorizar tudo aquilo que nos cerca, afinal aquele momento jamais voltará novamente.

    Legal!

    Abraço,
    Flávio Ribeiro

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