30 de jul de 2014

Brinquedo Torto ( Pitty)

( texto inspirado na música, qualquer semelhança com a realidade de muitas pessoas não é mera coincidência) 

Esqueci as regras do jogo
E não posso mais jogar
Veio escrito na embalagem
Use e saia pra agitar
Vou com os outros pro abate
O meu dono vai lucrar
Seja cedo ou seja tarde
Quando isso vai mudar?


A escuridão da noite envolve o quarto, porém meus olhos estão abertos, apesar de todo o cansaço. Aliás, de que está me servindo todo esse cansaço?

Manada, é isso. Faço parte de uma manada. Todos os dias acordando à mesma hora, comendo sempre do mesmo jeito, indo como uma rês para o mesmo lugar, cumprimentando as mesmas pessoas do mesmo jeito fazendo comentários vagos e realizando o trabalho sempre do mesmo modo. 
Faço parte da manada.


Não me diga: "eu te disse"
Isso não vai resolver
Se eu explodo o meu violão
O que mais posso fazer?
Isso é tão desconfortável
Me ensinaram a fingir
E se eu for derrotado
Nem sei como me render

  
Me ensinaram a ser "boazinha", a não gritar diante de injustiças, a obedecer um código moral tácito que fui bebendo junto com o leite materno e do qual é difícil desviar, mesmo tendo conhecimento de que as coisas não são bem assim.

A sociedade cala quem pensa diferente.

A noite traz a lucidez à minha mente. Mostra o quanto estou diluída, o quanto deixei de ser eu mesma para me conformar a ser

Another brick on the wall
 
Estou fugindo da realidade: meu mundo está ficando cinza. 
Mas é neste mundo que vivo e sobrevivo. É neste mundo que vou empurrando com a barriga, enquanto não vislumbro, por ter os sentidos embotados pela rotina, uma situação melhor.

E eu me vendo como um brinquedo torto
E eu me vendo como uma estátua





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