15 de set de 2012

Várias Facetas, Várias Vidas - 5ª Parte (II)


VICTOR

Tomo um banho, tirando de mim o suor depois do pesadelo. Mas a água não é o bastante para afastar as lembranças. Fecho os olhos e as cenas do pesadelo, as cenas de cinco anos atrás, formam-se novamente. Como gostaria de me livrar deste pesadelo! Viver nas festas, usar o ecstasy, rolar o baseado... noites inconsequentes... nada, nada diminui a dor, nada adianta!
Urro, batendo a mão na parede do banheiro,sentindo a água escorrer em meu corpo marcado. Maldição!!!
Por força do hábito, visto qualquer coisa e sento na escadaria de costume.
Um dia ensolarado, com pássaros cantando em um parque por aí perto. Já fiquei algumas vezes dividindo minha fatia de pão amanhecido com os pombos. Mas hoje apenas observo.
Vander deixou de me visitar a algum tempo, não o culpo – me fechei tanto em mim que não deixei uma porta aberta para que nossa amizade perdurasse
A angústia é tão grande.. saio da escadaria, vou andando pela calçada, sem destino. As lágrimas embaçam minha visão. Vejo as pessoas que passam por mim na calçada com expressões que vão da surpresa ao escárnio. Há muito tempo estão acostumadas a me ver vagando, mas nunca me viram desta forma. Deixei de ser invisível.
Estou aparecendo fora do casulo, deixando a tristeza aparecer.
Sento-me em um canto da calçada e finalmente choro. Dane-se esta história de que homem não chora, dane-se o mundo, danem-se as pessoas passando na calçada e me xingando, por que não podem ir tranquilamente ao trabalho, à diversão, às suas vidas fúteis.
Choro e quero mais que tudo se exploda, e eu junto, pois só assim consigo acabar com o sofrimento de uma vez!
- Moço... está tudo bem?
Tem alguém falando comigo?
- Desculpe a pergunta boba... mas.. posso te ajudar? Fazer algo por você?
Tem realmente alguém falando comigo! Levanto lentamente a cabeça....

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