18 de mai de 2012

O Cúmulo do Nervosismo


 Título original: Nervosismo. 

(Escrito em 1995 ou 1996 -  nem lembro direito - baseado em uma anedota que ouvi.Estava em um dos meus cadernos antigos da adolescência.)
Não revisei o texto, como o encontrei, escrevi aqui.


(Ela e ele, no sofá. Ele, sofrendo com a derrota do seu time, rói compulsivamente as unhas. Ela está grávida e cochila. De repente, sente algo);
Querido, eu sinto que está chegando a hora...
Vai, Aderbal! Ah,...o que foi?
 É agora.....
 (distraído) – Não, meu bem, esse gol não vai sair
A minha bolsa estourou
O que estourou aí foi a defesa.
Eu disse que a bolsa estourou! E-S-T-O-U-R-O-U-! 
  O QUÊEE?! Quer dizer....
Estou tentando dizer há um tempão! O nosso filho vai nascer!
(Ele desliga a TV. Bem na hora do gol).
- Ca-calma, meu bem. Fique calma!
- Você é que está nervoso.
-   EU NÃO ESTOU NERVOSO! Quer dizer, desculpe. Pelo amor de Deus, vamos logo para este bendito hospital!

E lá foi ele. Certificou-se de tudo, abriu rapidamente a porta do carro, sentou-se e com as mãos tremendo fechou a porta. Deu a partida, saiu a 160 por hora, arrebentou a cerca, levantou poeira, atropelou uma galinha, levou um varal - com roupas - nos pára-lamas, derrubou uma placa de sinalização, subiu na calçada, eu estou calmo, calmíssimo, dizia chorando e o carro a 200 por hora, entrou no jardim da prefeitura, levando junto o busto do fundador da cidade; derrubou uma pilha de tijolos, estourou o medidor de quilometragem, chegou finalmente ao hospital, parou cem metros à frente, levantou nervosamente, abriu a porta do carro, olhou para o banco de trás e exclamou:
-MEU DEUS!!! ESQUECI MINHA MULHER EM CASA!!!!!!!!

Um comentário:

  1. Hahaha, ótimo! Consigo imaginar a gestante dando risada - desesperadamente, lógico! - do nervosismo dele.

    Desde a adolescência escreves muito bem, hm? Parabéns, Mari!

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