25 de abr de 2012

Won't you save me?

Luana virou a cabeça para encarar Carlos uma última vez. Já na porta, saiu sem olhar para trás, deixando-o em silêncio. Ele não teve forças para correr atrás dela, não conseguia que suas pernas o obedecessem. Tampouco conseguia articular palavra.

Sabia que estava errado. Errara com ela o tempo todo, e, tarde demais, compreendera que era Luana o amor de sua vida. O único, verdadeiro.
Diversas vezes falhara com ela, por conta do maldito e doentio ciúme, que o impedia de desfrutar o tempo ao seu lado.. sim, porque cada dia era um martírio, uma mistura de amor doído com orgulho e insegurança, que aos poucos desgastava o relacionamento dos dois.
Agora ele percebia.
Quanto tempo poderia ter aproveitado ao lado de Luana,em vez de ficar reparando se havia algum outro rapaz olhando para ela, como ela cumprimentava os seus amigos....?
Carlos sabia que ela era independente, segura de si, e isso o incomodava mesmo que não admitisse. Pobre Luana, ele até a convencera a se "embonecar menos", como ele dizia. Que ironia! Se foi logo a beleza ímpar da moça que chamara sua atenção,cinco anos antes.
O amor/obsessão por Luana conseguia deixar Carlos doente. Começou como uma necessidade de proteção, pedindo que ela não saísse de casa sem sua companhia. O tempo fora passando,e Carlos restringindo cada vez mais sua namorada, observando seus mínimos gestos, palavras, olhares, como se a cada segundo fosse iminente a prova de uma suposta traição, de que o sentimento dela por ele não fosse mais o mesmo.
Luana não suportou. Relevou no início, dialogou com Carlos várias vezes, tentando fazê-lo enxergar que o ciúme era excessivo. Agora, Carlos compreendia.
Até aquela fatídica noite, em que ele perdera a cabeça.
Luana estava linda.. como sempre. Uma noite de festa, formatura do irmão de Carlos. Durante o baile, ele  a vira conversando com seu irmão, sorrindo e dando um tapinha no ombro dele.
Carlos não pensou duas vezes, correu até eles, empurrou seu irmão - garrafas rolando, sons de copos partidos, um baque surdo - e vociferou para Luana:
- Vamos embora. Agora.
Luana o encarou,não com o olhar compreensivo e doce das outras vezes... mas com um olhar frio. Cravejante.
 - Não. Você passou dos seus limites. E eu te avisei.
- VAMOS! E avançou para ela.
- Se você me bater, nunca mais olho sua cara, disse Luana, ainda com aquele olhar frio. E foi embora, sozinha.
Carlos não pode seguí-la, pois foi contido pelos familiares. A festa estava estragada.
No dia seguinte, Luana foi à casa de Carlos, trazendo uma caixa de sapatos.
- Vim devolver as fotos e cartões que ganhei de você durante nosso namoro.
Carlos deixou de lado  o comportamento duro que teve durante esses anos todos.... finalmente se ouviu pedindo perdão, com sinceridade.
Mas Luana estava irredutível.
- Eu havia pedido várias vezes para você se ajudar... dei muitas vezes sinais, falei diretamente a você, que esse ciúme só nos fazia mal... tentei ser compreensiva, mas você está me sufocando! Chego a ter medo, medo de você! Eu ainda te amo...mas também me amo. E só você pode se ajudar agora, mas precisa se convencer que está doente. Eu tentei. Juro que tentei.
- Luana, fica comigo.... vamos tentar juntos...
- Não, Carlos. Você precisa fazer sozinho.
Foi aí que ela fechara a porta, deixando-o só, sem se mover, absorvendo o impacto de suas palavras. Foi aí que ele percebeu que seu amor estava indo embora, e não sabia se algum dia a veria de novo. Foi aí que tomou consciência do tamanho de seu erro, do tempo desperdiçado, da vida errada.
E agora, se ele realmente procurasse ajuda... será que ela ainda voltaria para ele? Sem ela por perto... quem poderia salvá-lo dele mesmo?



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