9 de mar de 2012

Várias facetas, várias vidas - II

VICTOR

Os dias passam rápido, nem os noto. Pois minha vida acontece mesmo à noite. 
Durante o dia, fico um bom tempo sentado na praça, ou em escadarias, olhando sem ver as pessoas que passam. O ritmo frenético se desenrola, e eu enrolo o baseado. 
As pessoas passando pelas ruas não existem para mim, tampouco eu existo para elas. Gosto de ser invisível, quero ser invisível. E espero a noite chegar. É assim há muito tempo, desde aquela manhã de setembro.
Desde aquela época eu era o ser da noite. O céu escurecia e finalmente era minha hora. Hora de existir, de me sentir vivo. Danceterias, bares, boates, raves, luzes multicoloridas pouco eficientes em varar a escuridão.
Sentir a música entrando no meu corpo, ditando meus movimentos...me entregava completamente às sensações. Eu era, e ainda sou o movimento.Outras pessoas perto de mim,uma comunhão de sentidos, realçadas pelos drinks noite afora. Ah, e o ecstasy. 
Mesmo acordando com um gosto amargo na boca e o corpo moído, minhas incursões pela noite valeram, e de certa forma, ainda valem a pena. 
Mais um dia começava eu eu tornava a me enclausurar na indiferença. Alguns bicos garantiam a grana para poder viver a noite. 
Não precisava de mais nada para ser feliz.
Hoje em dia,já nem sei se sou realmente feliz, porém não quero mudar minha vida por enquanto. Noto que minha rotina começa a ficar sem gosto, sem emoção. Aquela manhã de setembro mudou alguma coisa em minha vida, no que eu penso, mesmo que externamente nada tenha mudado. 


(continua...)

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