14 de jun de 2011

Desperdício.

Olhou pela janela. Há quanto tempo não parava para, simplesmente, olhar? Escuro, noite. O céu estava  estrelado. Parecia estar mais que o habitual. Ou será que era porque há muito tempo não olhava mais para o céu, para a noite... para fora?
Só. Estava só.Um pouco assustador, porém agradável. Fazia-lhe bem poder ficar só, às vezes. O silêncio, saber que era a única pessoa ali. Poderia comer, ligar a televisão, ler, fazer o que quisesse, sem mais ninguém ficar sabendo. Às vezes era bom. Um pouco de solidão. Um pouco de reflexão. A noite fria, vista pela janela. Gostaria de sair da casa, imergir de vez na noite, contemplar o céu sem interferência do vidro. O frio desencorajava. Uma outra noite, talvez, pensou.Uma outra ocasião  em que a vontade de sair do casulo confortável da sala fosse maior. Outra noite em que o impulso da natureza fosse mais forte. 
Engraçado, filosofou, como era preciso ficar só para pensar na vida. E diziam que "duas cabeças pensavam melhor que uma"... Mas, só, somente em sua cabeça, mergulhava mais em pensamentos que o vozerio do cotidiano abafava. Para onde iria? Estava dando rumo certo para as coisas que fazia? Olhou para as paredes da sala, para o teto, para o filamento da lâmpada. O silêncio parecia um pouco denso agora. Poderia facilmente ir para o quarto ler. O livro estava jogado sobre a cama, aberto. Mas a imagem do céu, através do vidro já meio embaçado da janela capturara sua atenção.Estrelas piscando... quanta coisa o ser humano ainda poderia descobrir? Haveria um futuro esperançoso?Poderia ir lá fora, olhar mais fixamente para o alto... será que ainda conseguiria encontrar as constelações, como aprendera há muito tempo atrás?  Encontrar mais respostas? 
Ainda matutando um pouco, apertou o botão do controle remoto, imagens apareceram na tela da televisão. Manchetes, notícias, banalidades. A noite continuou, fria e estrelada lá fora. E, no sofá, o sono chegou.

Um comentário:

  1. Um conto simples, mas interessante. As vezes é tão bom estes momentos de solidão em nossas vidas, diria até essenciais.

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